sexta-feira, 18 de junho de 2021

Respostas turma 2006

1 - URBANIZAÇÃO: É UM PROCESSO DE AGRUPAMENTO DAS CARACTERÍSTICAS RURAIS DE UMA LOCALIDADE OU REGIÃO, PARA CARACTERÍSTICAS URBANAS. USUALMENTE, ESSE FENÔMENO ESTÁ ASSOCIADO AO DESENVOLVIMENTO DA CIVILIZAÇÃO E DA TECNOLOGIA.
2 - Uma região metropolitana é uma área formada por vários municípios que apresentam uma estrutura ou aglomeração urbana interligada entre si ou em torno de uma cidade principal, geralmente uma metrópole.
3 -  Entende-se por conurbação quando duas ou mais cidades se “encontram” e formam um mesmo espaço geográfico. Isso ocorre quando o crescimento dessas cidades é elevado e as suas respectivas malhas urbanas integram-se, tornando-se um único meio urbano

4 - Uma megalópole é normalmente definida como uma extensa região urbanizada, constituída por várias metrópoles e regiões metropolitanas conurbadas.

5 - O processo de urbanização no Brasil teve início no século XX, a partir do processo de industrialização, que funcionou como um dos principais fatores para o deslocamento da população da área rural em direção a área urbana.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Eratóstenes provou a esfericidade da Terra antes de Cristo nascer

 Eratóstenes foi matemático, bibliotecário e astrônomo. Praticamente não havia assunto pelo qual não se interessasse. Filosofia, história, geografia, gramática, poesia. Seu lugar preferido eram as bibliotecas de Alexandria, onde passava horas a fio a ler sobre tudo e todos.

 La web de Física - Tira cómica

 E em uma dessas tardes dedicadas à leitura, Eratóstenes encontrou em um rolo de papiro, que era o papel da Antiguidade, a informação de que na cidade de Syene, no Egito, ao meio-dia do solstício de verão, ou seja, o dia mais longo do ano no Hemisfério Norte, o sol estava a pino, pois iluminava as águas profundas de um poço, sem fazer sombra. Eratóstenes se deu conta de que, no mesmo dia e horário, vinte um de junho, ao meio-dia, as colunas verticais de Alexandria projetavam sombra. E foi assim que Eratóstenes descobriu que a Terra era redonda.

Eratóstenes pensou que se o mundo fosse plano como uma mesa, então as sombras das varetas teriam de ser iguais. E se isto não acontecia é porque a Terra deveria ser curva. Ele percebeu que, quanto mais curva fosse a superfície da Terra, maior seria a diferença do comprimento da sombra, em Alexandria. E com o auxílio da geometria, mediu com engenho e relativa precisão a circunferência da Terra.

Eratóstenes aguardou pacientemente o dia vinte e um de junho do ano seguinte, e pediu que se instalasse uma grande estaca de madeira em Alexandria e outra em Syene. Quando deu meio-dia, o horário em que o Sol estava a pino em Syene, a estaca fincada lá fez um ângulo de noventa graus com a superfície da Terra, como esperado, e não produziu sombra.

Já a sombra da estaca de Alexandria produziu um ângulo, que vamos chamar de A, de cerca de sete graus. Se as varetas estão na vertical, dá pra imaginar que, se fossem longas o bastante, iriam se encontrar no centro da Terra, criando o ângulo B, que terá o mesmo valor que A, pois o desenho se reduz à uma geometria muito simples. Se duas retas paralelas interceptam uma transversal, então os ângulos correspondentes são iguais. As retas paralelas são os raios de sol, e a reta transversal é a que passa pelo centro da Terra e pela vareta em Alexandria. Se o ângulo A é igual ao ângulo B, e mede sete graus, isso corresponde à aproximadamente um cinquenta avos da circunferência. Logo, o arco formado pelo ângulo B, que é a distância entre Syene e Alexandria, corresponde, também, a um cinquenta avos da circunferência. Eratóstenes concluiu que o comprimento da Terra deveria ser cinquenta vezes a distância entre as duas cidades.

Eratóstenes era um atleta, e aproveitando seu bom condicionamento físico, reuniu um grupo que se dispôs a percorrer a pé e em linha reta o caminho de Alexandria à Syene. O grupo percorreu aclives, declives, desertos, e até atravessou o Rio Nilo. A distância medida foi de oitocentos quilômetros. Multiplicando oitocentos por cinquenta, ele concluiu que a circunferência da Terra seria de, aproximadamente, quarenta mil quilômetros. Eratóstenes bateu na trave. O valor aceito atualmente é de quarenta mil e setenta e cinco quilômetros ao longo da linha do Equador. Mas, é justo lembrar que, para fazer esse experimento, ele usou a geometria de Euclides, outro famoso matemático grego da época.

Eratóstenes juntou a matemática a outras ciências, como, por exemplo, a geografia. Foi ele quem dividiu o globo terrestre em paralelos e meridianos, sistema que continua em uso até hoje. Ele ainda mostrou que era possível chegar à Índia partindo da Espanha, e ainda sugeriu a existência de terras habitadas no ocidente, conforme Colombo provaria mil e setecentos anos depois, quando chegou à América.

Assim como Arquimedes, Eratóstenes morreu devido à sua paixão pelo saber. Consta que, ao ficar cego, e não poder mais praticar seus estudos, ele teria caído em depressão, e morrido devido a uma greve de fome.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Desvendando o Qatar: sede da Copa do Mundo de Futebol 2022

 

Um pouco de história

Localizado em uma península, pequena porção de terra que se lança a oeste da Arábia Saudita sobre o Golfo Pérsico, o Qatar foi durante muito tempo, assim como Os Emirados Árabes uma região desértica, povoada apenas por pescadores e beduínos.

Porém, nas últimas décadas tudo ali mudou com a descoberta do petróleo na região, alterando completamente seu espaço e paisagem, transformando o PIB do país em um dos maiores do mundo e  tornando Qatar um grande polo cultural, moderno e tecnológico.

E agora, os maiores investimentos estão em torno, é claro, da Copa do Mundo de Futebol 2022. Ou seja, muitas obras estão em andamento, estádios moderníssimos, novos hotéis, restaurantes, lojas, shoppings e até mesmo um metrô está sendo construído, uma novidade para essa nação.

Vestimentas no Qatar

 Arábia Saudita diz querer tornar o Catar uma ilha | Notícias internacionais  e análises | DW | 01.09.2018


Por ser um destino árabe, alguns costumes dessa cultura devem ser levados em consideração, como as vestimentas. Mesmo para os turistas que não precisam usar as roupas tradicionais, é de bom tom vestir-se com roupas mais largas que cubram braços e pernas, que não sejam curtas, não sejam transparentes e nem decotadas. E ao visitar as mesquitas, as mulheres devem usar um lenço em volta da cabeça e ombros.

Como curiosidade, a vestimenta habitual dos qataris homens é a túnica branca, chamada de thoube; e das qataris mulheres é a túnica preta chamada de abaia, usada junto com um lenço que cobre a cabeça, cabelos e o parte do rosto.

Melhor época para ir ao Qatar


Por ser uma região desértica, o clima árido e de muito sol eleva a temperatura para mais de 40° C no verão, entre os meses de junho a setembro. É até por conta disso que em 2022, a Copa do Mundo não acontecerá tradicionalmente entre os meses de junho e julho, mas em novembro e dezembro, quando o clima é mais ameno.

Sendo assim, a melhor época para conhecer o Qatar é entre o outono e o inverno, nos meses de outubro a abril, período de temperaturas variando entre 17° C e 20° C.

A Capital



Doha é uma metrópole encantadora, carinhosamente chamada de “a cidade da pérola” por muitos turistas, e que hoje já é um dos destinos mais procurados do Oriente Médio. Os olhos do mundo já estão voltados para essa capital devido a Copa de 2022, e ela oferece uma harmoniosa mistura do tradicionalismo árabe com os extremamente modernos arranha-céus.

O que você não pode perder em Doha:

> Museu de Arte Islâmica: parada obrigatória, este museu foi projetado pelo mesmo arquiteto que fez o Louvre, em Paris. Arrojado, o edifício abriga rica coleção de artes islâmicas.

> Museu Árabe de Arte Moderna – Mathaf: neste museu estão expostas mais de nove mil peças entre esculturas, pinturas e artes em papel, valiosas coleções produzidas por diversos artistas do mundo árabe.

> Souk Waqif: um dos mais tradicionais souks árabes do Qatar, este espaço oferece aos visitantes a chance de conhecer como é o comércio, a cultura e o estilo de vida dali, podendo observar a arquitetura típica, fazer compras e dar aquela pechinchada para adquirir produtos artesanais, peças diversas, perfumes, roupas típicas e todo tipo de souvenirs.

> Falcon Souk: interessante por poder observar os falcões (ave simbólica do Oriente Médio) nas lojas que existem ali, são animais adestrados, muito admirados pelos qataris.


> The Pearl: assim como em Dubai, o Qatar criou uma ilha artificial, com cerca de quatro milhões de metros quadrados, planejada para oferecer alto padrão em luxo e sofisticação em suas lojas e restaurantes de renome.

> West Bay: um agitado distrito tido como parte do centro financeiro de Doha por conter enormes edifícios e arranha-céus moderníssimos, luxuosos e em formatos exóticos; um bairro onde também encontram restaurantes e lojas suntuosas.


> Forte Al  Zubarah: foi uma cidade ou vilarejo murado que era povoada nos séculos 18 e 19. Hoje é Patrimônio Mundial, pela UNESCO, e passou muitas décadas abandonada debaixo de muitas camadas de areia, o que protegeu os vestígios dos palácios, mesquitas, residências, cabanas, pátios e ruas doutros tempos.

Gastronomia no Qatar



Em virtude da religião, no Qatar, é proibido consumir carne de porco ou qualquer derivado dela. De origem portuária e por isso, pesqueira, muitos frutos do mar são apreciados ali. Mas também há influências milenares das culinárias indiana, libanesa e iraniana, além é claro da sua maior característica árabe.

Esfihas e quibes são os mais apreciados, porém outros pratos típicos são saboreados como o Haruf, um arroz de cordeiro assado; e o Machboos, um risoto de carne ou de mariscos. No quesito doces, o Umm Ali, um pudim de pão com nozes e uva passas; e o Mahalabiya, flan com pistache são os mais degustados.

É tradicional que as famílias e amigos se reúnam na hora das refeições, no Qatar, pois consideram um momento de grande encontro entre as pessoas, e por isso, os qataris dão muita importância ao almoço e jantar.

Todo o magnetismo e charme do Qatar e suas cidades, principalmente a capital, Doha, vêm conquistando cada vez mais pessoas e atraindo mais viajantes do mundo todo para este destino de tradições árabes em meio ao luxo, sofisticação e modernidade aparentes.

E este destino pode ser sua próxima parada de férias, quer saber mais? Fale com a Raidho Viagens.

#Qatar


Mitologia romana e 12 de seus principais deuses


Conheça a mitologia romana e 12 de seus principais deuses


A mitologia romana é o conjunto dos mitos e lendas que compunham a religião na Roma Antiga, civilização itálica que surgiu no século VIII a.C., com a fundação de Roma, e durou até o declínio do Império Romano, no século V d.C. A religião dos romanos era politeísta. Ou seja, os romanos adoravam muitos deuses, entidades que exerciam, segundo a crença, uma função protetora.

De um modo geral, os deuses romanos podem ser classificados em:

  • Deuses domésticos, cuja função era zelar pelo lar e pela família, a célula da sociedade.
  • Deuses que se ocupavam de cuidar do Estado, da cidade, ou seja, dos assuntos de interesse coletivo, como a agricultura, o comércio e a guerra.

Principais deuses romanos

1. Júpiter

Júpiter é o Zeus do Olimpo. Na mitologia grega, é o chefe supremo, Senhor do Céu e das Nuvens, e por isso é representado empunhando um raio. É, basicamente, o deus dos fenômenos celestes, como o vento e o trovão, e na hierarquia do Olimpo ocupa o primeiro lugar.

Em Roma, era o considerado o grande guardião do Estado e representava virtudes como a justiça e a honra. Júpiter era muito importante e adorado por todos os romanos. Era sob a sua proteção que os senadores decidiam a guerra. Antes de partir, os generais pediam sua bênção e, em caso de vitória, davam-lhe presentes.

2. Netuno

Netuno
Imagem de Netuno no Mosaico delle Stagioni, exposto no Museu Arqueológico de Palermo, na Itália.

Na mitologia grega, Netuno é Poseidon, irmão de Zeus. Na divisão do Universo, coube a Poseidon as águas salgadas. Por isso, tornou-se Senhor do Mar. Como as atividades marítimas eram muito importantes para os gregos, Poseidon ganhou entre os gregos um lugar de destaque.

Os romanos já possuíam divindades ligadas ao elemento água antes da helenização de sua mitologia. O especialista em mitologias Félix Guirand afirma que talvez Netuno fosse, na sua origem, uma divindade a quem os romanos se dirigiam para pedir chuva nos períodos de estiagem. Com a influência grega, Netuno recebe de Poseidon a soberania dos mares.

3. Minerva

Minerva corresponde à Atena da mitologia grega, a filha de Zeus que, segundo o mito, não foi gerada por nenhum ventre. Zeus a criou, já adulta, sendo a sua filha preferida. Representa, entre outras coisas, a sabedoria, e seu símbolo é a coruja. É a deusa da cidade e da civilização.

Entre os romanos, Minerva é a junção da Atena com uma divindade etrusca. Era adorada por todos os romanos, mas em especial pelos artesãos e artistas. Também era considerada uma divindade guerreira, pronta para defender o Estado contra os inimigos de fora.

4. Marte

Marte é um deus muito importante na mitologia romana. Isso porque ele é, segundo a lenda, o pai de Rômulo e Remo, os gêmeos que foram abandonados num cesto no rio Tibre. De acordo com o mito, ambos foram amamentados por uma loba e mais tarde criados por um pastor. Rômulo se tornaria o fundador da cidade de Roma.

Era cultuado como o Deus da Guerra, da primavera e da juventude. Associou-se a ele Ares, deus pouco cultuado entre os gregos. Já entre os romanos Marte, com sua armadura reluzente e suas armas poderosas, era objeto de uma adoração fervorosa. Talvez fosse o mais popular dentre todos os deuses romanos.

5. Jano

Jano
Imagem de Jano, o deus bifronte, no Museu do Vaticano.

Jano é um deus genuinamente romano. Originalmente um deus solar, Jano estava na origem de todas as coisas. Segundo o mito, Jano é quem ensinou aos itálicos, futuros romanos, a usar embarcações e o dinheiro. Protegeu o Capitólio da invasão dos Sabinos, fazendo brotar do solo uma fonte de água escaldante. O Templo de Jano ficava no Fórum Romano e suas portas ficavam fechadas em tempos de paz e abertas em tempos de guerra.

É o Deus das Portas, sejam elas públicas ou privadas. Seus símbolos são a chave, para abrir e fechar portas, e a vara, para afastar intrusos. Sua dupla face (bifronte) lhe permite olhar para o exterior e o interior da casa. Por extensão, tornou-se o deus das comunicações, dos portos e das estradas.

6. Juno

Corresponde à deusa grega Hera. É a esposa e a irmã de Júpiter. Originalmente, era chamada de Lucina, nome que vem da palavra luz. Por isso, Juno é a Deusa da Luz, bem como a divindade responsável por cuidar das mulheres, do casamento e da gravidez. Enquanto Deusa da Luz, é também deusa do parto.

Era a protetora das mulheres, invocada sobretudo por aquelas que tinham dificuldade para engravidar. Por tudo isso, era considerada a divindade do nascimento e da fecundação.

7. Apolo

Apolo
Representação de Apolo, no Palácio Quintela, em Lisboa, Portugal.

Este deus preservou o nome grego quando foi introduzido na religião romana. É filho de Zeus, responsável por matar a terrível serpente Píton com suas flechas certeiras. Um dos deuses mais adorados na Antiguidade, Apolo era considerado o Deus da Verdade, responsável pela ligação entre o mundo dos deuses e o mundo dos homens. Prova disso era o Oráculo de Delfos, instituição importantíssima na Grécia Antiga. Acreditava-se que Apolo podia ajudar os homens a conhecer a vontade divina.

Em Roma, o primeiro templo em homenagem a Apolo, conhecido como Templo de Apolo Médico, foi construído no século V a.C., no período da República. Segundo o historiador romano Tito Lívio, o que teria motivado a construção do templo foi uma promessa feita ao deus estrangeiro durante uma grave epidemia ocorrida alguns anos antes.

8. Baco

Baco é outro deus estrangeiro assimilado pelos romanos. Originalmente, é o Liber Pater ("Pai Livre"), deus itálico ligado à fertilidade da terra e, por consequência, à fecundidade. Baco é o outro nome do deus grego Dionísio, Deus do Vinho, que os romanos associaram a Liber Pater.

Nos Bacanais, festas religiosas dedicadas ao Deus do Vinho, louvava-se ao deus através dos excessos carnais, da embriaguez e da liberalização dos costumes. Por isso, hoje em dia a palavra "bacanal" tornou-se sinônimo de orgia.

9. Mercúrio

É o deus romano do comércio. Mercúrio vem da raiz latina merx, que significa "mercadoria". De protetor dos comerciantes, tornou-se também protetor dos viajantes após a identificação com o deus grego Hermes, conhecido mensageiro de Zeus.

10. Vênus

Vênus
O Nascimento de Vênus (1486), por Sandro Botticelli.

Originalmente, Vênus é uma antiga divindade romana da vegetação. É identificada com a grega Afrodite, Deusa do Amor e da Beleza. E tal como Afrodite, era descrita pelos poetas romanos como a manifestação maior da beleza, diante da qual a Terra se enche de flores e alegria.


11. Saturno

Diz o mito que Saturno, para contrariar uma profecia que dizia que ele seria destronado por um filho, devorou todos os seus filhos logo após o nascimento. Só Júpiter escapou, salvo pela sua mãe, Reia. Anos mais tarde, a profecia se cumpriu. Saturno, então, deixou a Grécia e foi morar no Capitólio, local onde seria erguida a futura Roma. Lá, após ser acolhido por Jano, tornou-se rei dos povos itálicos, ensinando-lhes a cultivar a terra.

Era venerado pelos romanos como o Deus da Agricultura, representante das riquezas dos campos. Havia festas dedicadas a ele, com muitos comes e bebes e marcadas pelo desregramento e pela desordem, conhecidas como Saturnais, tradicionalmente realizadas entre 17 e 23 de dezembro. O auge das Saturnais foi no século III a.C.

12. Vulcano

Vulcano é um dos deuses latinos mais antigos. É, ao lado de Vesta, uma divindade do fogo, identificado com deus grego Hefesto. Vulcano é o Deus do Fogo. Mas o fogo de Vulcano não é o do Sol, nem o doméstico. É o fogo que vem das profundezas da Terra. Não é difícil imaginar que a palavra "vulcão" tenha derivado justamente do nome desse deus romano.

Mitologia romana e grega são a mesma coisa?

deuses romanos

Muita gente pensa que a mitologia romana é uma cópia da mitologia grega, famosa por seus deuses fantásticos, de forte personalidade e super poderosos. A verdade é que a mitologia romana, embora bastante influenciada pela grega, tem as suas particularidades.

A assimilação dos deuses do panteão grego, que se dá sobretudo através da arte e da literatura, ocorre nos séculos III e II a.C. Roma já existia bem antes disso. E o povo romano caracterizava-se por um forte sentimento religioso. Mas, até a chegada definitiva dos deuses gregos, suas divindades não passavam de Numes, forças indefinidas, vagas, que podem ser traduzidas como um poder que está lá no céu.

Os deuses romanos eram ligados à vida prática. Ou seja, eram deuses úteis. Havia o deus que cuidava dos recém-nascidos. O que cuidava dos celeiros. O que zelava pelos lares. As atividades agrícolas também eram protegidas por um Nume.

Com a influência grega, muitos desses Numes foram alterados e associados aos deuses do Olimpo. Trata-se de um processo de identificação, sendo que alguns desses deuses, como Apolo e Plutão, tiveram seus nomes gregos preservados. Outros ganharam novos nomes, como Júpiter (o Zeus grego) e Netuno (Poseidon).

Mas é bom lembrar que a mitologia romana também recebeu elementos de outras culturas, como a etrusca, a persa, a síria e a egípcia, de modo que o seu panteão jamais poderá ser qualificado como puramente romano.
 

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Copa do Mundo

 A Copa do Mundo é uma competição internacional organizada pela Federação Internacional de Futebol a cada quatro anos. A Copa passou a ser realizada em 1930, com a primeira competição sediada pelo Uruguai. A escolha da nação-sede é determinada em eleições feitas pela própria Fifa.

A Copa do Mundo é um dos maiores eventos esportivos do planeta e, a cada quadriênio, bilhões de pessoas assistem aos jogos realizados. As edições de 2010 (que ocorreu na África do Sul) e 2014 (no Brasil) contaram com cerca de 3,2 bilhões de espectadores, segundo dados compartilhados pela Fifa. A final da Copa do Mundo de 2014 registrou, sozinha, aproximadamente 1 bilhão de espectadores.

A organização de uma Copa do Mundo também gera gastos consideráveis – muito em parte por conta das altas exigências da Fifa. A Copa de 2014 teve gastos de aproximadamente R$ 8 bilhões somente com estádios, ao passo que a edição de 2010 registrou aproximados R$ 4 bilhões.

Leia também: Mussolini e a Copa do Mundo de 1934

Surgimento da Copa

A primeira Copa do Mundo aconteceu em 1930, após muitos anos de tentativas de se organizar uma competição mundial de futebol. O início do evento está diretamente ligado ao surgimento da Fifa e sua atuação na popularização e profissionalização do futebol. A Federação foi fundada em 1904 e contou com a adesão inicial das seguintes nações: Bélgica, Dinamarca, França, Holanda, Espanha, Suécia e Suíça.

Os primeiros esforços na direção de se organizar uma competição como a Copa do Mundo foram realizados por um dos idealizadores da Fifa, o holandês Carl Anton Wilhelm Hirschman. Contudo, o grande responsável pela realização da primeira Copa do Mundo foi Jules Rimet, presidente da Fifa durante mais de trinta anos.

Os esforços de Jules Rimet concentraram-se na década de 1920, principalmente após o sucesso da competição de futebol realizada nos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928 – ambos vencidos pelo Uruguai. A partir daí, as negociações pela realização de uma competição de futebol desvinculada do Comitê Olímpico Internacional (COI) intensificaram-se.

Leia também: Seis fatos importantes da história das Olimpíadas

A reunião final que levou à decisão de organizar o primeiro Mundial saiu em 1928, em Amsterdã, na Holanda. Posteriormente, tal resolução foi ratificada em reunião em Zurique. Nesses encontros estabeleceu-se o básico de uma Copa do Mundo: o evento seria realizado a cada quatro anos, inicialmente com um troféu produzido e oferecido pela própria Fifa, seria aberto a nações de todos os continentes e, se necessário, haveria eliminatórias para determinar os participantes.

A definição da sede, no entanto, só aconteceu em 1929 e foi um assunto que resultou em acalorados debates. Para sediar a Copa de 1930, houve a candidatura das seguintes nações: Hungria, Itália, Holanda, Espanha, Suécia e Uruguai. A escolha pelo Uruguai como sede do Mundial foi determinada em um congresso realizado em Barcelona.

A decisão é atribuída a múltiplos fatores. Desportivamente falando, ele representava a maior potência futebolística e já era bicampeão olímpico à época. Quanto a questões financeiras, havia o fato de que o Uruguai se comprometeu a pagar as despesas de todos os participantes e a construir um novo estádio para a competição. A primeira Copa do Mundo contou com treze participantes:

  • Europa: Bélgica, Romênia, Iugoslávia e França

  • América do Norte: EUA e México

  • América do Sul: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai

Nessa edição, o Uruguai confirmou seu favoritismo e venceu a competição após bater os argentinos na final pelo placar de 4x2. A participação brasileira foi modesta, sobretudo porque havia um racha entre paulistas e cariocas – assim, quase todos os convocados paulistas boicotaram a Copa do Mundo. O Brasil acabou eliminado na primeira fase após dois jogos (derrota contra a Iugoslávia por 2x1 e vitória contra a Bolívia por 4x0).


Crescimento da Copa do Mundo

Com o passar dos anos e a popularização do futebol, a Copa do Mundo tornou-se um evento grandioso e que mobiliza uma quantidade de dinheiro gigantesca. A relevância da competição refletiu-se na quantidade de nações que participavam do evento.

Nas edições de 1934, 1938 e 1950, foram 16, 15 e 13 nações, respectivamente. Já nos anos 1954 e 1978, a competição contou com 16 participantes. Entre 1982 e 1994, o número foi ampliado para 24 seleções. O modelo que existe atualmente (32 seleções) foi utilizado pela primeira vez na Copa de 1998 e permanecerá até 2022. A partir da Copa de 2026, a competição contará com 48 participantes.

A Copa do Mundo, em seu modelo atual, organiza-se da seguinte maneira. As 32 seleções são dispostas em oito grupos, cada qual com quatro equipes. As duas primeiras de cada grupo classificam-se para uma fase eliminatória. Assim, as dezesseis classificadas disputam as oitavas; as oito vencedoras vão para as quartas; as quatro vencedoras prosseguem para as semifinais, e as vencedoras de cada semifinal disputam a grande final. Há também uma disputa pelo 3º lugar travada entre as perdedoras de cada semi.

As nações vencedoras de edições de Copa do Mundo são: Brasil (5 títulos), Alemanha e Itália (4 títulos cada), Argentina e Uruguai (2 títulos cada), Espanha, França e Inglaterra (1 título cada). As nações que mais vezes foram vice-campeãs são: Alemanha, derrotada em 4 finais (1966, 1982, 1986 e 2002), seguida da Argentina, que perdeu em 3 finais (1930, 1990 e 2014). A Holanda participou de três finais e saiu derrotada de todas as três decisões (1974, 1978 e 2010).

O Brasil acumula duas derrotas em finais: uma em 1950, no famoso “Maracanaço”, quando a seleção foi vencida pelo Uruguai por 2x1. A outra derrota aconteceu em 1998, na Copa da França, quando a seleção anfitriã bateu a Seleção Brasileira por 3x0. O Brasil também acumula duas vezes o 3º lugar (1938 e 1978) e uma como 4º colocado (1974 e 2014).

Brasil e Alemanha foram as únicas nações que conseguiram disputar três finais de Copa do Mundo de maneira consecutiva. Os alemães o fizeram em 1982, 1986 e 1990 e foram derrotados nas duas primeiras por Itália e Argentina. Em 1990, deram o troco e derrotaram os argentinos por 1x0. Argentina e Alemanha é, inclusive, o confronto que mais vezes ocorreu em finais: três vezes, em 1986, 1990 e 2014.

Já o Brasil foi finalista de maneira consecutiva em 1994, 1998 e 2002, vencendo a Itália nos pênaltis (1994) e a Alemanha (2002) e sendo derrotado pela França (1998). Um destaque interessante é que o Brasil é a única seleção que participou de todas as Copas do Mundo já organizadas.

Resumo de todas as Copas

Confira a seguir informações básicas das edições de Copa do Mundo realizadas entre 1930 e 2014:

Ano

País-sede

Campeão

Vice

Colocação do Brasil

1930

Uruguai

Uruguai

Argentina

6º lugar

1934

Itália

Itália

Checoslováquia

14º lugar

1938

França

Itália

Hungria

3º lugar

1950

Brasil

Uruguai

Brasil

Vice-campeão

1954

Suíça

Alemanha Ocidental

Hungria

5º lugar

1958

Suécia

Brasil

Suécia

Campeão

1962

Chile

Brasil

Checoslováquia

Campeão

1966

Inglaterra

Inglaterra

Alemanha Ocidental

11º lugar

1970

México

Brasil

Itália

Campeão

1974

Alemanha Ocidental

Alemanha Ocidental

Holanda

4º lugar

1978

Argentina

Argentina

Holanda

3º lugar

1982

Espanha

Itália

Alemanha Ocidental

5º lugar

1986

México

Argentina

Alemanha Ocidental

5º lugar

1990

Itália

Alemanha Ocidental

Argentina

9º lugar

1994

EUA

Brasil

Itália

Campeão

1998

França

França

Brasil

Vice-campeão

2002

Japão e Coreia do Sul

Brasil

Alemanha

Campeão

2006

Alemanha

Itália

França

5º lugar

2010

África do Sul

Espanha

Holanda

6º lugar

2014

Brasil

Alemanha

Argentina

4º lugar

2018

Rússia

França

Croácia

6º lugar

2022Catar   
2026Estados Unidos, Canadá e México   

 

*Créditos da imagem: Fifg e Shutterstock

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Sócrates e Jesus, o sábio e o messias

Um gerou academias e liceus, o outro mosteiros e seminário

O grego chegou a alcançar a velhice, o galileu não teve a mesma sorte. Todavia ambos, Sócrates e Jesus Cristo, apesar de  homens pacíficos, foram julgados e condenados à morte acusados de serem uma ameaça à sociedade em que viveram. A essas duas personalidades, um envenenado o outro crucificado, mortos há quase dois mil anos e mais, é a quem o Ocidente deve a sua educação e formação moral.


Sócrates ( 469 –399 a.C.) e Jesus Cristo ( 0 –33)
Foto: Reprodução

Os humildes iluminados
“A sua condição de seres supra-históricos os converteu em eternos contemporâneos.”

Karl Jaspers – Die Grossen Philosophen, 1960
Ambos vieram de famílias humildes. A mãe de Sócrates era  parteira, o pai de Jesus Cristo um marceneiro. Ofícios que modelaram a atuação pública deles. O grego Sócrates, explicou  no diálogo Teeteto,  chamava o seu método de ensino de maiêutica, a arte da parteira: mais ou menos como extrair com habilidade o conhecimento de dentro do próprio indivíduo. Era assim, pela dialegesthai, a conversação,  que alguém podia alcançar a “Ilustração”, isto é, pensar por si mesmo. 

Jesus de Nazaré, por sua vez, auxiliando o pai, com quem aprendeu a carpintaria, convenceu-se da eficácia da  repetição, bater e bater os pregos. O mesmo procedimento, o da pregação,  que ele adotou. Falar repetidamente por horas e horas para convencer os incréus da eminente chegada do Reino dos Céus.
Separados quatro séculos um do outro, eles atuaram nas cidades mais importantes da cultura em que nasceram. O palco de Sócrates foi as ruas de Atenas, capital do Helenismo e sítio do Pártenon; o de Jesus foi as vielas de  Jerusalém e o  pátio do Beit Hamikdash, o Templo Sagrado  do Judaísmo. Cidades, diga-se, em que nenhum dos dois foram muito populares. Sócrates era um impertinente que levava a maioria dos que o cercavam à exasperação. Com pouca paciência para com a ignorância e a pose presunçosa, como a dos sofistas seus rivais, os seus questionamentos e indagações, feitos em logradouros públicos ou em banquetes, agiam como um cortante bisturi expondo os seus contraditores à mofa. 
Jesus, por sua vez, além de detestar os fariseus, os hipócritas, se indispos com meio mundo na entrada do Templo, expulsando com seu cajado os vendilhões que, negociando ali,  conspurcavam aquele local sagrado. Mas afinal, como ele mesmo disse, “Não há profeta sem honra, exceto em sua pátria e em sua casa”( Mateus, 13).

Sócrates e Jesus, objetivos diferentes

Tanto os gregos como os judeus daquela época, povos não muito numerosos, cada um no seu tempo, estavam ameaçados por forças imperiais terríveis, poderosíssimas. No outro lado do mar Egeu pairava a sombra ameaçadora do império persa, enquanto a Palestina estava ocupada pelas legiões desde os tempos de Pompeu ( ano de 63 a.C.).
Apesar dos dois ouvirem vozes (Sócrates as  chamou de dáimon, Jesus de Espirito), diferiam,  porém, nos objetivos pretendidos. O grego procurava formar homens públicos, cidadãos que atuassem com seriedade e correção nos assuntos comunitários. O galileu queria convertidos, inocentes como crianças, para conduzi-los para o alto, ao Reino do Deus Pai. 
Se Sócrates teve discípulos que o honraram, como Platão ou Xenofonte, Jesus  teve em Pedro a sua rocha. Mas também foram seus seguidores quem os decepcionaram e os traíram. Sócrates foi parar no Areópago, o tribunal de Atenas, para responder pelo comportamento indigno de Alcibíades e de Crítias, seus admiradores, acusado de “ corromper a juventude”. 

Jesus, traído por Judas,  acusado de blasfêmia e de desrespeito à religião oficial, teve que apresentar-se no Sinédrio para responder a Caifás  e depois a Pilatos, governador romano da Judéia que o entregou à cruz. O público de Sócrates era geralmente muito instruído, o que o exercitou na dialética do techne logon, a arte do discurso racional. Bem ao contrário dos quem Jesus se dirigia, à multidão dos infelizes da terra, massa iletrada, o que fez dele um gênio no uso da parábola. 

Educadores da humanidade

Cristo com seus apóstolos

Sentenciado a beber cicuta, em 399 a.C., o veneno com que se eliminava o condenado a morte em Atenas, Sócrates passou seu últimos momentos com seus  discípulos, Críton, Fédon, Apolidoro,  Cebes e Símias, conversando até o fim, até o momento em que o seu corpo esfriava, ironicamente recordou-se que devia sacrificar um galo a Esculápio, o deus da medicina (Fédon - epílogo). Antes da prisão e crucificação, no ano de 33, Jesus fez sua derradeira ceia com seus apóstolos no Getsêmani, ao pé do Monte das Oliveiras,  e igualmente lembrou-se de um galo, prevendo que Pedro,  “antes que o galo cante”,   o negaria três vezes (Mateus - 26). 
Sócrates e Jesus, o Sábio e o Messias, a luz para um era o saber, o conhecimento, para o outro foi a fé e a salvação da alma. Um gerou academias e liceus, o  outro mosteiros e seminários. Educadores da humanidade.

Bibliografia
Bíblia  de Jerusalém, São Paulo, Irmãs Paulinas, 1985- 
Gnilka, Joachim – Jesus de Nazaré, Mensagem e História, Petrópolis, Editora Vozes, 2000.
Jaspers, Karl – Los grandes filósofos: los hombres decisivos, Buenos Aires, Editorial Sur, S.A.,  1971, 

Platão – Diálogos:  Fédon – Sofista- Político , Porto Alegre, Editora Globo, vol. II, 1961
Stone, I.F. – O julgamento de Sócrates, São Paulo, Companhia das Letras, 1988.
Tovar, Antonio – Vida de Sócrates, Madri, Alianza Universidad, 1986

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